Cartão vermelho — 8 de janeiro de 2012 16:00

Sobre arbitragem e demagogia

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É muito fácil comprar o discurso da profissionalização da arbitragem como a o discurso da salvação e da ética.
Entretanto, as coisas não são tão simples e nem oferecem garantia de lisura.

O histórico de escândalos da arbitragem é imenso.
Vários são os casos na Inglaterra, Alemanha, Itália, França e aqui no Brasil.

Muitos escândalos na Europa estavam intimamente ligados ao volume elevado de apostas, legais naqueles países.
Árbitros foram afastados, jogadores punidos e a imagem não escapou dos arranhões.

Os casos no Brasil são igualmente antigos, no entanto, o tratamento é bem diferente e o problema parece ser encarado de forma simplista, ingênua.

Em 1997, o escândalo Ivens Mendes e a possível compra de resultados favorecendo Atlético PR e Corinthians em troca de favores financeiros e políticos para a campanha de Mendes caiu como uma bomba, mas não explodiu como deveria.
O Atlético perdeu pontos e Petraglia e Dualib não puderam mais, por um período, representar seus times junto a CBF.

A Comissão de Arbitragem mudou mas manteve hábitos nada salutares.
Outra bomba explodiu em 2005 com um novo escândalo.
O árbitro Edilson Pereira de Carvalho foi afastado e 11 jogos do Brasileiro apitados por ele foram considerados “contaminados”.
Os jogos foram “rejogados” e Edilson até ganhou uma graninha com o lançamento de um livro.

Os nomes mudaram na Comissão, mas as trapalhadas continuavam
Edson Rezende fez a transição do período Armando Marques para Sérgio Correa, que assumiu em 2006.
Pouco tempo depois, Sérgio já teve que esclarecer sua relação com a ex-árbitra Ana Cecílio.
Mas os problemas particulares não eram os mais complicados para ele.
A arbitragem mineira dava claras demonstrações de falta de comando e seriedade.
Sob o comando do falecido Lincoln Afonso Bicalho, sete árbitros foram acusados de superfaturamento de passagens e hoteis e os sete foram afastados.

Em 2008 era Anselmo da Costa que tinha sem nome ligado ao Instituto Wanderley Luxemburgo.
O caso dos ingressos para um show da Madonna que seriam para Wagner Tardelli serviu para mostrar que nem a defesa dos árbitros era mais ouvida e Tardelli deixou de apitar a partida mais importante do ano.

O novo capítulo promete ser quente. Gutemberg de Paula, que obteve escudo FIFA ano passado, perdeu seu escudo e saiu atirando para todos os lados.

A credibilidade era questionada e ainda é, mas o discurso de moralidade ainda se mantém atrelado ao profissionalismo da arbitragem.
Faço um convite ao pensamento: quanto tempo seria necessário para regularizar e regulamentar a profissão de árbitros no Brasil?
É possível crer no que acontece nas quatro linhas até a aprovação e regulamentação?
Faço uma outra e talvez mais cruel pergunta: quem gostaria de ter como empregado os árbitros no Brasil?

Com uma folha vasta de escândalos e poucas punições, o patrão (CONAF ou CBF) seria o mesmo e mais aberto ainda aos desvios de conduta.

É fácil e simplista o discurso da profissionalização.
O futebol brasileiro e a arbitragem brasileira só terá credibilidade quando o poder da CBF mudar e quando os envolvidos com as maracutaias do poder forem devidamente punidos.

6 Opiniões Ver opiniões Esconder opiniões

  • galo 1 cruzeiro 6, e não foi pago????? a sei…

  • Marra,
    Concordo que a profissionalização seja uma visão simplista.
    Acredito ainda que chega a ser equivocada.
    Profissionalização está ligada diretamente a proporcionar melhores condições de trabalho, no caso dos árbitros a melhoria da forma física e conhecimento técnico.
    A credibilidade da arbitragem do futebol brasileiro envolve ética e lisura, que devem estar presentes em todos os ramos de atividades exercidas, seja de forma profissional, seja amadora.
    Ética e lisura não são exclusividade da atividade profissional, e para que estejam presentes inclusive na arbitragem do futebol brasileiro é necessário que haja transparência, e regras claras para o sorteio dos árbitros, formação de escalas, respeito à liberdade de expressão e pensamento com a possibilidade de concessão de entrevistas pelos árbitros.

  • Na vida, aprendi um conceito básico de que “ético é tudo aquilo que fazemos quando não estamos sendo observados”.
    No dicionário do futebol, a palavra ética é uma expressão extinta, uma língua morta.
    Imagine como cobrar uma postura ética de um árbitro que ganha pouco em sua profissão de origem e apita jogos de futebol para complementar a sua renda familiar – fato que acontece na maioria dos casos – em não se deixar envolver pelo “pedido” de seu superior para que não seja tão rigoroso com uma determinada equipe, dando-lhe de presente um jogo importante de uma competição e um aumento no valor que será pago por sua atuação quanto árbitro credenciado, filiado e subordinado.
    Ah, hipoteticamente, o chefe da arbitragem recebe ordens e comuna com o presidente da federação de futebol do Estado, que por sua vez, é agraciado pelos presidentes dos clubes.
    Até aqui, a mazela de baixo.
    Prefiro nem comentar sobre a CBF, o senhor Ricardo Teixeira e seu patrono João Havelange. Este sim, é um homem bom! Deu até a filha para o cara…
    Regulamentar a profissão de árbitro nos moldes estruturais e morais dos quais estão regidos o futebol no Brasil é prejudicar ainda mais outros setores e onerar o Estado.
    Vagabundo vai querer virar árbitro para poder se aposentar! Vagabundo porque, se não fez merda nenhuma até hoje na vida, vai aproveitar a zorra que é a arbitragem nacional para se aposentar por auxílio-doença (devido ao stress e pressão emocional sofrido pelas constantes ameaças de torcedores indignados com a sua péssima atuação), por idade ( o cara não trabalhou o suficiente, ficou mais do que um tempo parado sem apitar mas paga a Previdência Social garantindo o benefício), e por outras brechas que existem em nosso sistema previdenciário.
    Toda profissão merece ser reconhecida e regulamentada, desde que a sua estrutura ofereça formas concretas de sustentabilidade social e não seja tão corrompida ou fácil de lograr.
    O problema Mário, é o que fazemos quando ninguém nos vê fazendo!
    Um abraço! Sorte e sucesso!

  • Quantos pênaltis como aquele do segundo gol do Santos na final do Paulista já foram marcados, numa decisão, para um time desprestigiado, contra um adversário poderoso? Voltando um pouco no tempo, e repetindo o mesmo beneficiário da atualidade, quantos gols de times “grandes” já foram anulados como o do Santo André na final de 2010?

    Nenhum, jamais. Por isso não sabemos como reagiria a combativa crônica esportiva se um favorecimento de tamanha importância lesasse os seus protegidos. Esses “erros” de arbitragem, tão involuntários e casuais que inevitavelmente escolhem os lados certos para favorecer, deixam claro que as mudanças necessárias no futebol nacional escondem-se muito mais fundo que as meras idiossincrasias de regulamento.

    http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

  • Um pequeno comentário sobre futebol…
    Hoje o Atlético/MG,joga contra o Internacional em Porto Alegre,se perder irão reclamar falando que o juiz “roubou”,que o STJD vetou o Ronaldinho(injustamente),que o Réver também foi suspenso(justo) e que convocaram o Victor para a seleção. Caso ganhem, vão falar que o Atlético será campeão, e que é contra tudo e contra todos.
    Sou cruzeirense,sou formado em arbitragem pela Federação Mineira de Futebol e nunca vi em todo o mundo do futebol o que estão fazendo contra o Atlético/MG. Adiamento de partida, convocação do goleiro titular para a seleção(seleção do Mano Menezes pra mim não é seleção) e agora uma suspensão em que o Ronaldinho sequer encostou no Kléber.
    Deixo o meu lado “doente” de ser cruzeirense por uma causa ao FUTEBOL MINEIRO, estou farto de tantos erros de arbitragens a favor de times do RJ e SP. Em 2009 o Cruzeiro disputou a final da Libertadores,sendo que três dias antes teve um clássico contra o Atlético(pedimos adiamento do jogo),,mas a poderosa CBF não autorizou. Em 2011 e 2012 Santos e Corinthians disputaram a final da Libertadores,pediram adiamento do jogo alegando que poderia prejudicar o jogo final e foram atendidos.Estranho?Pra mim não. É apenas uma forma de que o futebol Mineiro não é valorizado.
    Infelizmente, existem alguns imbecis que brigam por Cruzeiro e Atlético. Isso nunca irá acabar, pois é da raça humana (se é que podemos chamá-los de humanos).
    Futebol é muito bom,pois é nossa hora de distração,gozações e etc. Como é bom zuar que o Galo está perdendo o título,que não ganha nada,e que disputou a série B.Mas pra mim,é só isso. Respeito todos os torcedores,pois tenho familiares atleticanos.
    Atleticanos, não achem que o Atlético será campeão, está praticamente “arrumado” para o Fluminense ser campeão (ou vocês acham que o Fred não é convocado pra seleção atoa?)
    #QueroRespeitoComOFutebolMineiro

  • Queimou o filme em brother. Sem mais…

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