Na Marra — 29 de março de 2012 16:00

E viva o zelo e a argumentação

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As marcas de tantos anos de autoritarismo são ainda muito fortes no Brasil.
A simples compreensão do que é nosso direito e também dever é comprometida pela falta de percepção do que vem a ser civilidade e educação.

Não são apenas traços dos anos sem voz, são verdadeiras cicatrizes que parecem insistir em nos tirar a opção de ganhar com o debate.
O que piora ainda mais a situação é perceber que nós, formadores de opinião, confundimos alicerçar nossas ideias e convicções com gratuitas demonstrações de falta de educação e suposta superioridade, também conhecida como arrogância.

É tão mais edificante o debate!
É tão nobre ser convencido de que o outro tem uma visão mais ampla sobre um assunto!
Entretanto, lutar contra nossa cegueira não parece ser prioridade.
Mais interessante é humilhar e não crescer com a troca de visões.
Chego a te pedir para não acreditar em quem bate na mesa na tentativa de impor sua visão.
Imposições atestam falta de grandeza na troca e na argumentação.

Quem é o dono da verdade? Somos nós comentaristas?
Somos nós que determinamos o que é o bom?
Do alto do conforto de nossas salas bem ventiladas avaliamos que um presta e o outro não?
É exatamente pensando em minimizar os erros que devemos ouvir, ler e buscar parâmetros.
Números podem amparar ideias, análises (desprovidas de má intenção) ajudam a criar conceitos.
Não deveria mais haver espaço para achismos e ironias que ridicularizam quem leva com zelo o trabalho.
Mas nossa democracia é nova e nossa sociedade aplaude quem soca a mesa sem consistência.
E o pior é que seria até compreensível (mas não aceitável) se muitos de nós agíssemos como prostitutas e usássemos nossos espaços para o comércio da opinião.
Entretanto, o que nos obscurece não é a venda pura e simples da opinião e sim o despreparo para a função e nada mais.

É triste o retrato do jornalismo esportivo nacional, mas é mais triste ainda saber que as bases de nossa democracia são alicerçados na areia da emoção e em nada mais.

1 Opinião

  • Mario boa tarde, sobre o tema veio em pensamento e aleatóriamente uma profissão, a medicina, poderiam ser várias mas me veio a medicina. Alguém nasce com a predisposição do dom de poder aliviar a dor e o sofrimento e ser coadjuvante no processo de salvar vidas e aí muitos se contaminam com a soberba e arrogância e se sentem o protagonista , o criador. Chico Anísio em uma de suas ultimas entrevistas deixou um recado com enorme sabedoria, “O sucesso de agora pode não existir amanhã, então trate todo mundo bem e com muita humildade”
    Eu penso que por melhor que seja a função por mim exercida, sou apenas uma marionete manipulado pela vida e dentro disso um dia escrevi: NADA FRAGILIZA MAIS O HOMEM DO QUE AS INCERTEZAS DO PROXIMO SEGUNDO, O QUE MAIS LHE DÁ SEGURANÇA É ABSTER-SE DA CERTEZA DESSAS INCERTEZAS. Um abraço.

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