Olho Clínico — 23 de abril de 2012 4:34

Corinthians: uma derrota com reflexos?

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O regulamento do Paulista era muito claro: seria apenas um jogo e a única vantagem do melhor colocado seria a de definir em casa.
Todos os times que entraram para a disputa já sabiam quais eram as regras do jogo.

De um lado estava o Corinthians e do outro estava a Ponte.
Uma derrota para o Corinthians faria o time de Campinas priorizar a Copa do Brasil e se concentrar em buscar reforços para o Brasileiro.
Uma derrota para a Ponte obrigaria o Corinthians a priorizar a Libertadores.

A Ponte venceu e venceu com justiça.
Fez três gols em um time que havia sofrido só 11 gols em 19 jogos.
A Ponte não só venceu, mas também desafiou os conceitos que alicerçavam a caminhada corintiana.
Assim que a partida terminou, Alex, meia autor do último gol do Corinthians, saiu dizendo que o time errou quando não podia errar.
As palavras do meia valem algumas reflexões e precisam ser “tratadas” pelo treinador.

O Corinthians foi desafiado em casa e não mostrou força para a reação, no entanto, a Libertadores dá duas oportunidades e ser sábio pode significar perder de 1 a 0 ou pode significar não oferecer o espaço para o contra-ataque que o time ofereceu ao time de Gilson Kleina.

Jogar com o regulamento na competição que guarda os sonhos da torcida pode não significar manter o mesmo padrão que levou o time ao título Brasileiro.
Jogar com o regulamento pode ser ter um meio em losango (um volante centralizado protegendo a defesa, dois volantes/meias pelos lados e um meia perto do ataque) ou até ter dois volantes lado a lado e dois meias lado a lado.
Pode ser também que signifique manter toda a estrutura de um 4 – 2 – 3 – 1, mas entender que é o esquema que me serve e não o contrário.

O que poderia afastar todo tipo de apreensão é perceber que o treinador e nem mesmo o time são reféns do esquema e que o time consegue transitar em variações sem prejuízo de qualidade de jogo coletivo.

Agora chegou a hora de ter calma, de firmar conceitos e também de se permitir investir em liberar Emerson para os dribles sem se preocupar demais com a rigidez da ocupação do espaço. O time certinho e arrumado pode ser também o time de um eventual abuso ofensivo.

Sei que é o assunto é melindroso, mas times certinhos são ótimos para torneios de regularidade e um pouco de malícia faria bem ao Corinthians.

Uma eliminação do Paulista pode ser também uma oportunidade para se permitir mais. Pode ser a oportunidade de ouro para sair do corretíssimo e entrar no quase irresponsável.

A hora de fazer a tal limonada com apenas um limão é agora.
Hora boa de administrar dúvidas e pressões.
Hora boa de ser competente, mas hora melhor ainda para ser brilhante.

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