Olho Clínico, Pós-Jogo — 16 de outubro de 2012 14:34

Brasil vence e faz bom teste

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É incrível, mas em algumas situações parece que somos obrigados a buscar definições, conceitos para caracterizar algo ainda não tão “definido”.
Mas ainda assim insistimos.
Cravamos que um time é cavalo paraguaio e que aquele jogo foi jogo com cara de campeão e por aí vai.
O que importa é cravar e determinar as coisas.
Entretanto, o futebol e a vida não são tão exatos assim.

A seleção brasileira é uma grande vítima de estereótipos.
Coisas como “time de guerreiros”, “peso da amarelinha” e outros mais são sempre repetidos e chegam a causar algum distanciamento do real.
No jogo contra o Japão, o Brasil foi chamado de tudo um pouco.
Começou com “fome”, passou pelo “cara de Barcelona”, chegou a ser “time de contra-ataque” e terminou empurrando para o adversário a caracterização de “time fraco”.
Já pensou se a vida fosse assim?
Mas não é e nem a seleção é algo assim.
É preciso entendermos o que o técnico da seleção procurou falar com muita clareza.
O Brasil está em outro estágio, em outro momento.
O momento é de adaptação a um novo jeito de jogar, sem o 9 de ofício.
Os dias são de adaptação de um “novo” líder e talvez até Kaká tenha que passar a conviver melhor com o rótulo de líder.

A goleada foi construída com um time que soube propor a partida e soube também “tirar o pé” para aproveitar a ambição de empatar do adversário.
O time conseguiu ter a leitura necessária para trocar passes no campo de ataque, para roubar a bola do quarto gol e para esperar os espaços oferecidos pelos japoneses.

O Japão, bom time envolvido pela seleção brasileira, mostrou que existem espaços bem na frente da área do Brasil.
Explicar os espaços parece ser tarefa simples se olharmos que Ramires e Paulinho são volantes de jogo, de retomada e participação ofensiva.
Os espaços preenchidos pelos japoneses não resultaram em gols, mas em outros jogos a coisa pode ficar feia.
Sinto que pode ser importante a figura de um volante mais marcador, mais destruidor para dar tranquilidade aos zagueiros brasileiros.

O teste e a boa vitória podem ter servido para mostrar a necessidade de ajustes, mas servem muito também para boa parte dos analistas cravar frases novas de efeito.

5 Opiniões Ver opiniões Esconder opiniões

  • vc escreve mais sobre o que os outros pensam e fazem do que sobre futebol. já pensou em se preocupar menos com os outros?

    • Caro Sérgio, poderia dar a sua resposta como minha, mas te falo que me incomoda o fato de ter procurado me dedicar aos estudos e perceber que o senso comum é o que reina nas opinões.
      Procuro trazer uma outra reflexão, mas sei que nossa cultura aceita mais a repetição.
      Não pretendo fazer discurso sociológico, mas entendo que a raiz de nossos erros está na educação.
      A educação dada na escola e a educação dada em casa.
      Entendo que podemos ter visões diferentes, mas precisamos ter a nobreza de tentar ampliar conceitos.
      É um convite.

      Abraço cordial.

  • Ao final vc observa: “…Sinto que pode ser importante a figura de um volante mais marcador, mais destruidor para dar tranquilidade aos zagueiros brasileiros.”.
    Dúvida, pois não assisti ao jogo em razão do horário: Na Copa de 2010, vc elogiou Alemanha, e talvez Espanha, por jogarem SEM volates destruidores, que resultava num futebol mais leve, mais agradável de se visto. Hoje essas mesmas seleções não perderam essas características. A seleção brasileira não pode jogar da mesma forma, sem volante pegador, já que a linha de 4 da defesa no jogo de hoje não contava com o Marcelo? Ou o que importa é o resultado, já que a Copa será disputada aqui?

    • Verdade, Sérgio.
      A diferença é que a seleção brasileira vai sofrer a pressão pelos resultados.
      Vai se sentir obrigada a sair para o jogo e pode deixar mais espaços ainda.
      No entanto, se o time for mesmo contundente no ataque, acho que vale a pena correr riscos.
      Abraço.

  • O grande problema da humanidade, é a falta de preocupação com os outros…

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