Na Marra, Sem categoria — 24 de outubro de 2012 20:02

Bernard – Um pequeno grande estranho no ninho

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Quem faz três gols pede música e aumenta a coleção de hat-tricks.
O artilheiro ganha prêmios, status e contratos mais interessantes.
Entretanto, dificilmente os artilheiros carregam a bola de seu campo de defesa e finalizam para o gol sem a participação dos colegas.
Quem coloca o “matador” na cara do gol leva o rótulo de garçom e, muitas vezes, nem aparece na edição dos gols do domingo, mas seria impossível o seu time ter o desempenho que tem se eles, os garçons, não estivessem em campo.

A lista dos dez jogadores líderes em assistências do Brasileiro é a seguinte:
1- Ronaldinho – 12 assistências.
2- Jádson – 10 assistências.
3- Bernard – 9 assistências.
4- Thiago Neves – 8 assistências.
5- Juninho – 8 assistências.
6- Deco – 7 assistências.
7- Lucas – 6 assistências.
8- Fabrício (Int) – 6 assistências.
9- Dagoberto – 6 assistências.
10- Elano – 6 assistências.

Ronaldinho, Deco e Juninho são consagrados.
Thiago Neves e Lucas são nomes constantemente lidos nas listas de convocações do técnico da seleção, Mano Menezes.
Jádson chegou a disputar a Copa América.
Dagoberto e Fabrício jogaram menos, mas sempre foram reconhecidos, mesmo nos tempos de São Paulo e de Lusa, como jogadores importantes dentro dos esquemas dos times.

A grande notícia nem é tão grande assim.
Bernard tem 1,64m, mas não é só a (falta de) altura de Bernard que faz o pequeno jogador parecer um estranho em uma lista cheia de consagrados.
O meia, que joga aberto pela esquerda, ainda não fez nem 70 jogos como profissional e marcou todos os treze gols com a camisa do Galo no ano de 2012.
Bernard é a grande novidade do campeonato.

Bernard era para ter sido mais uma vítima do descaso e da avaliação precipitada dos nossos “professores”.
O menino não passou na avaliação do treinador Dorival Júnior e chegou a ser deixado de lado no time de cima.
Até que André Figueiredo, coordenador da base do Atlético, teve a ideia de conversar com Bernard e, a partir do papo e com a autorização de Bernard, o menino, que ainda tinha idade de Júnior, saiu do profissional e voltou para ser destaque e campeão da Taça BH de Juniores.

Mas por qual motivo Bernard não rendeu o que poderia no time de cima?
Dorival Júnior, em desespero com a necessidade de pontuar no Brasileiro, colocou o meia da esquerda na lateral direita.
Bernard nunca havia jogado como lateral direito.
O informação nem é minha. André Figueiredo, que acompanhou o crescimento e a “queda” de Bernard, afirmou que nem em uma situação de improvisação e nem em um jogo treino, nunca Bernard havia batido bola na lateral. No entanto, o técnico de cima, com preocupação apenas com o momento e não com o investimento feito pelo clube, tentou achar a mina de ouro e entregou Bernard aos críticos.

Bernard não é só o segundo artilheiro do Atlético no Brasileiro.
Bernard, com seus 1,64m, não é apenas o terceiro melhor “garçom” do Brasileirão.
Bernard tem uma importância enorme na formação do futuro jogador do Atlético.
Os meninos da base atleticana não sonham com algo impossível.
O futuro deles está logo ali.
O passado de luta de Bernard na base do Galo é o exemplo real de estímulo a quem vai chegar.

O torcedor atleticano tem motivo para comemorar o surgimento de um talento.
Entretanto, é impossível não questionar no mínimo dois pontos:
Quantos jogadores foram queimados pelas ideias “geniais” dos “professores” do time de cima?
Por quais motivos os tais professores não gastam um pequeno tempo analisando o trabalho feito nas divisões de base?

7 Opiniões Ver opiniões Esconder opiniões

  • A resposta para as perguntas finais é simples,curta e grossa,aquilo que vocês chamam de professores (os técnicos) não são.Apostam em suas vaidades e se der certo eles que promoveram o fenômeno, se der errado é porque o jogador era “fogo de palha”,se fossem professores mesmo,mestre no original da palavra saberiam buscar o potencial de cada um.Fico feliz por terem achado o do Bernard…

  • Mario, bom dia!
    Pior do que a incapacidade na avaliação, dos tais”professores”,
    é a incapacidade na arte de lapidar.

  • Só mais um adendo a seu texto corretíssimo: em determinada ocasião Bernard foi dispensado das categorias de base do Galo. Mas, por graça de Deus e insistência própria retornou.

  • Marra uma duvida: acho que esse Jênio chamado Dorival Jr improvisou o Bernard na lateral foi ainda no fraco campeonato mineiro de 2011 (Se não me engano o primeiro jogo dele no profissional foi na lateral) . E na minha opnião não foi desespero, foi mal caratismo! ele queria queimar o garoto! mas graças a Deus Bernard mostrou personalidade e não deixou a peteca cair!

  • Marra, vale lembrar também que na categoria de base do Galo, o Bernard foi dispensado duas vezes. Quando voltou em definitivo foi emprestado ao Democrata de Sete Lagoas e já dava pinta de craque. Só daí foi para o time do Dorival.

  • Prezado Mário,
    sua crônica está, a meu ver, impecável. Só gostaria de acrescentar, que existe também, de certa forma, uma certa falta de interesse com o que se origina nas Minas Gerais. Afinal, parece-me que eles pensam que o Brasil resume-se no eixo São Paulo – Rio e se esquecem que,,, me desculpem os “cariolistas”, eu também sou carioca, mas a história do Brasil foi construída em Minas Gerais.
    Mais um vez, PARABÉNS!!!

  • Professor de futebol, mesmo, sem aspas, era Telê Santana, um homem que ensinou até Júnior Baiano a jogar bola com elegância.

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